Além das cartas do jurista Luís Carpenter (vide “Biografia”), do presidente Juscelino Kubitschek, de Waldemar Falcão e Clóvis Bevilaqua (vide “Carreira Jurídica”), outros numerosos documentos de elevado valor histórico compõem o acervo de João Antero de Carvalho, entre eles: cartas de José de Alencar, Rui Barbosa, Machado de Assis, Pedro Américo, Olavo Bilac, Graça Aranha, Euclides da Cunha, Rodolfo Bernardelli; o original do poema “Nirvana”, de Augusto dos Anjos, escrito em 1914 na cidade de Leopoldina, Minas Gerais; além de pensamentos, dedicatórias e autógrafos de Olegário Mariano, Juarez Távora, Coelho Neto, Catulo da Paixão Cearense, Epitácio Pessoa, Olavo Bilac, Humberto de Campos, Adolpho Lutz, Aparício Torelly (o “Barão de Itararé”), Afonso Celso, Artur Bernardes, Miguel Couto, Clementino Fraga, Getúlio Vargas, Pontes de Miranda, Evaristo de Morais, Oliveira Viana, Santos Dumont, Pandiá Calógeras, Albert Einstein, Monteiro Lobato, Guglielmo Marconi, Marechal Rondon, Eliézer Rosa, Menotti Del Picchia, Cardeal Jaime Câmara, Rachel de Queiroz, João Cabral de Melo Neto e muitos outros vultos históricos do Brasil e do mundo.

No terceiro livro de autógrafos, o consagrado pianista e compositor João Roberto Kelly, inspirado na trajetória do seu pai, Celso Kelly, e em homenagem à memória de João Antero de Carvalho, fez em 6-6-2010 este significativo registro: "A vida não acaba para aqueles que deixam um lastro de ensinamentos, conduta e amor".

Por sua vez, João Havelange, Presidente de Honra da FIFA, lavrou, em 29-9-2010, esta notável mensagem:

"Recordar o passado é um privilégio, principalmente quando focalizamos pessoas de grande valor na amizade, na cultura e na lealdade.

Foi assim que esteve sempre diante dos meus olhos a figura de João Antero de Carvalho, como um amigo inesquecível e um esportista que pela sua dignidade foi um modelo a ser seguido.

João Antero de Carvalho representa um valioso passado e relembrá-lo é voltar a uma época de grandes amigos que representarão, indiscutivelmente, eternamente seu modelo”.

 

Na página de abertura do primeiro livro de autógrafos, um dos mais célebres artistas brasileiros desenhou magistral autocaricatura (veja fac-símile), o exímio Raul, que havia estreado em “O Mercúrio”, em 20 de julho de 1898, e que manteve enorme prestígio até seu falecimento em 1953. Raul Paranhos Pederneiras, artista, poeta, cronista, homem de teatro, professor de Direito e de Belas-Artes, presidente da Associação Brasileira de Imprensa, da qual foi sócio fundador, redator de importantes órgãos da imprensa carioca, contribui para o inestimável valor de um acervo iniciado pelo jurista Esperidião de Carvalho e prosseguido pelo seu filho, João Antero, que, ainda muito jovem, cuidou de ampliar o rol de tantas preciosidades.

Mensagem final

Grande Antero,

Eu sempre lhe falei que as pessoas não morrem; quando elas partem deste nosso "vale de lágrimas" vão ver as estrelas de perto. Um estágio para aqueles que, embora tenham cometido alguns deslizes ou pecadilhos, não merecem a pavorosa condenação aos buracos negros. Tenebrosas regiões do Cosmos, com imensos colapsos gravitacionais, pré-sepulturas de estrelas em agonia final, também reservadas aos facínoras, aos de índole deformada, aos canalhas, ladrões do dinheiro público, enfim a todos os safados que provocam tormentos maiores aos viventes no "vale de lágrimas".

Completava minhas observações, dizendo que você iria para os espaços estelares, e levando em consideração que no seu estágio terreno sempre foi um apreciador do sexo feminino (o que é digno de calorosos aplausos e irrestrito apoio) é lógico que haveria de ir para estrela ou constelação com nome de mulher. Exemplos: Alcione e suas radiosas companheiras das Plêiades; ou Gemma, a mais deslumbrante estrela da Coroa Boreal; ou as formosas Três Marias (Órion); além de Cassiopeia, Andrômeda, Bellatrix, Virgo e muita mulherada mais...

Você ficava de orelha em pé, ouvindo o feminino desfile sideral, mas não acreditou quando citei a Cabeleira de Berenice (a Comae Berenices, no latim dos astrônomos). Disse-me você que eu estava inventando, pois não havia estrela ou constelação com tal nome. Existe sim! E você atualmente está cuidando dos esplendorosos cabelos daquela que foi divindade dos gregos e rainha dos egípcios. Porém, se eu estivesse inventando, não seria pecado nenhum, pois como dizia Eça de Queiroz "todos temos direito a vestir o diáfano manto da fantasia".

Um dos seus filhos, o bravo Mauricio, destemido operador do Direito (torcedor, como eu e você, do América, o que nos faz detentores de indulgências plenárias, pois torcer fielmente pelo clube de Campos Sales é prova de desprendimento, é ser possuidor de uma autêntica virtude teologal) resolveu - o Mauricio - encerrar o derradeiro dos livros de autógrafos com pensamentos de três dos seus diletos amigos, João Havelange, João Roberto Kelly e ... eu (logo eu que, ao contrário desses dois luminares, estou longe do prestígio dos famosos que, ao transcorrer de oito décadas, impuseram incalculável valor ao seu acervo histórico).

E aqui está o seu flagrante, Antero, cuidando dos portentosos cabelos de Berenice. Mas, devo adverti-lo: comporte-se com a máxima seriedade! Nada de inconveniências! Seja um respeitoso coiffeur!...

Caso contrário, você retornará ao tormentoso "vale de lágrimas" e, com a devida permissão do nosso João Roberto Kelly, passará a cuidar da cabeleira do Zezé. O que, para você, será uma troca das mais desastrosas.

Do amigo e parceiro

Murilo Brasil

21-11-10

A CARTA QUE AGITOU O PAÍS

No acervo está o original de um documento que agitou o Brasil, em 1921, durante a presidência de Epitácio Pessoa, fazendo detonar uma séria crise político-militar. Em 9 de outubro daquele ano, o jornal “Correio da Manhã” publicou esta carta atribuída a Artur Bernardes (então candidato à sucessão de Epitácio Pessoa) endereçada a Raul Soares:

“3-6-921

Am.º Raul Soares

Saudações afetuosas

Estou informado do ridículo e acintoso banquete dado pelo Hermes, esse sargentão sem compostura, aos seus apaniguados e de tudo que nessa orgia se passou. Espero que use com toda energia, de acordo com as minhas últimas instruções, pois essa canalha precisa de uma reprimenda para entrar na disciplina. Veja se o Epitácio mostra agora a sua apregoada energia, punindo severamente esses ousados, prendendo os que saíram da disciplina e removendo para bem longe esses Generais anarquizadores. Se o Epitácio com medo não atender, use de diplomacia que depois do meu reconhecimento ajustaremos contas.

A situação não admite contemporizações, os que forem venais que é quase a totalidade, compre-os com todos os seus bordados e galões.

Abraços do

Arthur Bernardes”

Obs.: Am.º é a abreviatura de amigo.

 

Além de causar enorme desconforto ao presidente Epitácio Pessoa (citado na carta), a matéria publicada no jornal abalou a oficialidade do Exército, provocando apreensão entre os políticos. Logo em seguida, o mesmo jornal divulgou uma segunda carta, também atribuída a Artur Bernardes, contendo novas críticas à situação do país. Bernardes negou veementemente a autoria das duas cartas, enquanto Raul Soares afirmava desconhecer o assunto. O destinatário foi ministro da Marinha, em 1919; eleito senador em 1921; presidente do Estado de Minas Gerais, em 1922. Além de político, notabilizou-se como professor na Faculdade de Direito de Minas Gerais, filólogo, escritor e historiador.

O Clube Militar designou uma comissão para examinar as cartas, mas os peritos divergiram. Em consequência, uma assembleia extraordinária do Clube foi convocada e 690 sócios, após debates sobre os laudos periciais, decidiram pela veracidade dos documentos. A crise agravou-se, os quartéis entraram em agitação, a população foi tomada de inquietação, mas Artur Bernardes, sempre alegando inocência, não renunciou à candidatura à presidência da República e acabou vencendo as eleições, derrotando Nilo Peçanha, em meio a cerradas acusações de fraudes eleitorais.

Antes da eleição, Rui Barbosa, indicado para arbitrar a polêmica das cartas, apesar de adversário de Bernardes, opinou pela falsidade, argumentando que o importante era não discutir a falta do corte no t (na assinatura de Artur Bernardes) ou o timbre do governo de Minas Gerais ostentado nas cartas; um timbre criado em julho de 1921 e que não poderia ser usado em documentos datados de junho daquele ano (caso das cartas). Para Rui Barbosa, a pergunta principal deveria ser: “onde foram achadas as cartas, por quem e de que maneira?”.

Vale observar que a 1ª carta (vide fac-símile) apresenta 125 palavras manuscritas, onde há 26 letras t cortadas. Apenas no t da assinatura não existe o corte. Este detalhe tornou-se o maior argumento para aqueles que opinaram pela falsidade das cartas. Rebatendo o argumento, um perito, Serpa Pinto, apresentou circunstanciado laudo ao Clube Militar, em 28 de dezembro de 1921, afirmando que as cartas eram verdadeiras, pois seria impossível forjar a caligrafia do princípio ao fim e que a falta do corte no t seria, obviamente, irrelevante.

O caso mobilizou conceituados peritos europeus, entre eles o francês Edmond Locard, célebre médico e criminalista de renome mundial, considerado um dos pais da criminologia, autor de vários livros especializados (que apontou a veracidade das cartas) e Salvatore Ottolenghi, catedrático da Universidade de Roma (que opinou pela falsificação).

Com Artur Bernardes eleito presidente em 1º de março de 1922 (tomou posse em 15 de novembro), surpreendentemente surgiram dois personagens que confessaram a falsificação das cartas: Oldenir Lacerda, que era ligado ao “Correio da Manhã”, e Jacinto Guimarães, um hábil calígrafo. Segundo disseram, os papéis timbrados haviam sido retirados na imprensa oficial de Minas Gerais e a forjicação fora inspirada pelo senador Irineu Machado, inimigo político de Artur Bernardes. A confissão, em 15 de junho de 1922 (três meses e meio após a vitória eleitoral de Bernardes) foi colocada sob suspeita pelos jornais e políticos oposicionistas. Por sua vez, a quase totalidade dos militares continuava convicta da autenticidade das cartas, mantendo-se hostil ao presidente, que foi obrigado a governar impondo o estado de sítio. Esses episódios contribuíram para o enfraquecimento da República Velha, que sobreviveu em sucessivas crises até 1930, quando Washington Luís foi deposto pelo movimento militar que levou Getúlio Vargas ao poder.

Algumas fontes históricas inserem o rumoroso caso no rol das forjicações (falsificações) mais conhecidas em âmbito mundial, ao lado de outras, por exemplo: um documento assinado pelo imperador Constantino apresentado ao papa Silvestre I (século IV); uma carta do papa Anastácio II a Clóvis I, rei dos francos (século V); uma carta de San Martin a Simon Bolívar; várias cartas atribuídas a George Washington, que comprometiam sua fidelidade à Revolução Americana; o famoso “Protocolo dos Sábios do Sião”, que seria um plano de dominação do mundo pelos judeus; a carta atribuída ao capitão do exército francês Alfred Dreyfuss, envolvendo-o num caso de traição à pátria; o Plano Cohen (suposto projeto de dominação comunista no Brasil, que se tornou um dos fortes pretextos para a decretação do Estado Novo, em 1937) e a Carta Brandi, que buscava provar uma ligação entre o trabalhismo brasileiro e o regime peronista argentino, ameaçando a democracia nos dois países, com reflexos em nações vizinhas. A fraude visava comprometer João Goulart, inviabilizando sua candidatura a vice-presidente nas eleições de 1955.

Todavia, muitos pesquisadores e historiadores não consideram que as cartas atribuídas a Artur Bernardes sejam forjicações. Permanece, assim, a interrogação: falsas ou verdadeiras?

No original da primeira carta, está o carimbo do diretor do jornal “O Combate”, Caio Monteiro de Barros. O órgão, fundado por Pardal Mallet, havia sido fechado violentamente no governo Floriano Peixoto, voltando a circular anos depois. Do arquivo do jornal, o documento acabou passando ao valioso acervo histórico de João Antero de Carvalho.

A irreverência do "Barão de Itararé"

Considerado o "rei da sátira", o gaúcho Aparício Torelli está imortalizado na literatura brasileira pelo seu invulgar talento humorístico. Em 1926 lançou o jornal "A Manha", que veio a alcançar enorme sucesso popular, tendo colaborado em "O Globo", "A Noite" e outras publicações cariocas. Até o início dos anos 30 usava o pseudônimo de "Aporelly" ou "Ax1", adotando depois o título de "Barão de Itararé". Preso várias vezes por suas sátiras políticas, conquistou ampla popularidade, sendo eleito vereador pelo Partido Comunista Brasileiro, em 1947.

Em 1932, aos trinta e sete anos, escreveu num dos livros de autógrafos e pensamentos de João Antero esta deliciosa Prece:

"No domingo passado fui à igreja . . . / Forçoso é confessar que fui, apenas, / Para apreciar um grupo de morenas, Que põem em polvorosa quem as veja . . .

Rezei e pedi a Deus o que deseja / Um cidadão de aspirações pequenas: / Um almoço, um jantar e uma cerveja, / Para nela afogar as minhas penas . . .

Depois, com Santo Antonio, fui mais franco . . . / Pedi que me casasse com aquela / Que tem um dinheiral de ações no banco . . .

Só tenho ações no banco da Desgraça, / Mas, se o bom Santo me casar com ela, / Darei a Santo Antonio ações de graça . . ."

A amargura de Artur Bernardes

"A experiência ensina aos velhos que a gratidão e a justiça não são deste mundo".

Aos 57 anos de idade, Artur Bernardes já se considerava velho e revelava no pensamento que escreveu em 7 de novembro de 1932, no livro de autógrafos, sua amargura diante da ingratidão e da injustiça. Naquele ano, o ex-presidente estava politicamente marginalizado e ameaçado de ser deportado, o que veio a ocorrer.

Após quase dois anos de exílio na Europa, Bernardes voltou ao Brasil e à vida política, sendo eleito deputado à Assembléia Nacional Constituinte, em 1946.

Estado de sítio em 1897

"14 de nov. de 1897

Exmo. pr. Dr. Prudente de Morais

Foi-me muito grata, na profunda amargura em que todos vivemos, a bondade com que V. Exª honrou os meus modestos serviços, estimando-os em tanto.  Por maiores, entretanto, que fossem, pagos estariam com a fortuna dessa distinção. Dizer, neste momento, que eles estão às ordens do presidente da república, é dizer que eles pertencem ao direito contra a anarquia bárbara. É este o sentimento geral do país.

Ruy Barbosa"

Nove dias antes da carta de Rui Barbosa, o presidente Prudente de Morais havia decretado o estado de sítio, devido às crises militares que agitavam o país, incluindo as revoltas na Escola Militar do Rio de Janeiro, e os acirrados conflitos políticos entre republicanos e monarquistas. Em novembro daquele ano, o presidente já havia escapado de um atentado, quando morreu o marechal Carlos Machado Bittencourt, ministro da Guerra.  Aos 48 anos, Rui Barbosa propiciou ao governo fundamentos jurídicos para a suspensão temporária dos direitos e garantias individuais.

(A carta de Rui Barbosa foi presenteada a João Antero de Carvalho, por Prudente de Morais Filho, em 10 de novembro de 1933).

O nirvana do poeta

"O meu Nirvana

(inédito)

No alheamento da obscura forma humana, / De que, pensando, me desencarcero, / Foi que eu, num grito de emoção, sincero, / Encontrei afinal o meu Nirvana!  Nessa manumissão schopenhauereana, / Onde a vida do humano aspecto fero / Se desarraiga, eu feito força, impero / Na imanência da idéia soberana!

Destruída a sensação que oriunda fora / Do tato - ínfima antena aferidora / Destas tegumentárias mãos plebéias - ,

Gozo o prazer que os anos não carcomem / De haver trocado a minha forma de homem / Pela imortalidade das idéias!

Augusto dos Anjos

Leopoldina - 1914"

Fac-símile do manuscrito de Augusto dos Anjos, com um dos seus mais célebres poemas. Simbolista, ele busca o seu Nirvana, que no budismo é a plenitude da elevação espiritual que se alcança através da sabedoria. Os versos falam na libertação (manumissão), apontanda por Schopenhauer, filósofo alemão; na inseparabilidade (imanência); e em sensibilidade (tegumentária). "O meu Nirvana" foi escrito em 1914, mesmo ano da morte do seu autor, em Leopoldina, MG, quando ele contava apenas 30 anos.

Homenagem a Machado de Assis

No Centenário de falecimento de Machado de Assis (vinte e nove de setembro de 1908) é oportuno exibir o fac-símile de uma carta do escritor, cujo original está no acervo histórico de João Antero de Carvalho. Na missiva, datada de 1 de agosto de 1908 (o destinatário não pôde ser identificado) Machado agradece ao amigo a informação sobre o artigo do jornalista Alcindo Guanabara, elogioso ao livro "Memorial de Aires". Solitário e com problemas de saúde, o escritor admite que aquele seria seu último livro. Ele morreria dois meses depois.

1 de agosto de 1908

Meu querido amigo,

Muito obrigado pelas boas novas. Vou ler o artigo do Alcindo e escrevo esta para não demorar a resposta. Folgo de saber o que o Felix e o João Luro lhe disseram, e ainda bem que o livro agrada. Como é definitivamente o meu último, não quisera declínio. O seu cuidado, porém, mandando uma boa palavra a esta solidão é um realce mais e fala ao coração.

A garganta está no mesmo, ou um pouco mais dolorida. Vou aplicar o bochecho que me diz. Não escrevo mais por causa dos olhos. Até segunda-feira.

Recomende-me a todos e creia-me

Velho amº

Machado de Assis

Exmo Amigo Dr. Nascimento Silva

Peço-lhe, caso seja possível, dar o emprego de contínuo ou servente de diretoria, de que é digno chefe, ao Sr. José Carvalho Bulhões.

É um favor com que muito penhorará seu admirador e amigo

José do Patrocínio

Rio, 21 de dezembro de 1897

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Na breve carta, o jornalista, escritor e orador José do Patrocínio, um dos mais destacados chefes da campanha abolicionista, solicita ajuda para um amigo. Nascimento Silva era diretor de Engenharia da Prefeitura e também diretor da Companhia Ferro Carril do Jardim Botânico, ao tempo em que o prefeito era Ubaldino do Amaral.

Meu ilustre e caro amigo

Tenho o prazer de lhe apresentar o meu amigo Dr. Claudio de Souza Junior, moço distintíssimo, médico, e jornalista de talento. O Claudio vai entrar em concurso para o cargo de secretário de legação, - e desejava conhecer pessoalmente o amável e eminente homem de letras, que o glorioso barão do Rio Branco tem ao seu lado como principal auxiliar. Encarregando-me de fazer a apresentação, não me vejo na obrigação de gastar palavras: - o Claudio recomenda-se por si mesmo, pelo seu valor intectual.

Creia, meu ilustre confrade, na admiração e na amizade do seu

Olavo Bilac

29.novembro.1903

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Outro pedido de ajuda, este de Olavo Bilac, em favor de quem ia concorrer a uma função na área diplomática, ao tempo em que Rio Branco era ministro das Relações Exteriores, sob a presidência de Rodrigues Alves.

João Ribeiro e Mario Alencar

O Heraclito Graça está muito desvanecido com a simpatia de vocês e hoje escreve ao Machado de Assis apresentando-se candidato à vaga da Academia.

Peço ao Mario que consulte o Magalhães de Azeredo, apresentando o Clyde no dia 11.

Vosso do coração

Graça Aranha

Petrópolis, 6 de abril de 1906

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Na carta acima, Graça Aranha, fundador da Cadeira 38 da Academia Brasileira de Letras, refere-se ao apoio dos acadêmicos João Ribeiro e Mario Alencar, ocupantes das Cadeiras 31 e 21, respectivamente, da ABL, ao candidato Heraclito Graça. A carta menciona Machado de Assis, fundador e primeiro presidente da Academia, ocupante da Cadeira 23 e Magalhães de Azeredo, fundador da Cadeira 29. Heraclito Graça venceu a eleição e conquistou a Cadeira 30.

Ilmo. Sr. Dr. Goffredo de Taunay

Ao caro Amigo,

Cumprimenta e participa que as placas de bronze estão prontas, e espera suas ordens para onde enviá-las.

Rodolpho Bernardelli

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Rodolpho Bernardelli foi membro e diretor da Academia Imperial de Belas-Artes. Suas numerosas obras, bustos, estátuas equestres, monumentos etc., enriquecem museus, igrejas, logradouros públicos e pinacotecas, no Brasil e em muitos países.

Prof. João Anthero de Carvalho

Tendo tido referências de que V. Sª  é exímio colecionador de autógrafos, apraz-me oferecer-lhe este, dentre os que zelosamente guardo em memória ao meu saudoso progenitor - Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos.

Guilherme Augusto dos Anjos

Rio, 16 de outubro de 1933

A gratidão de Juscelino Kubitschek

Ao aproximar-se o término do meu mandato, venho manifestar-lhe, de modo especial, o meu reconhecimento pelo seu patriótico apoio à luta que travei para conduzir a pleno êxito a causa do desenvolvimento nacional.

Sinto-me satisfeito em poder proclamar que, na Presidência da República, não faltei a um só dos compromissos que assumi como candidato. Mercê de Deus, em muitos setores realizei além do que prometi, fazendo o Brasil avançar, pelo menos, cinquenta anos de progresso em cinco anos de Governo. Pude ainda, através da Operação Pan-Americana, despertar as esperanças e energias dos povos americanos para o objetivo comum do combate ao subdesenvolvimento.  E todo esse esforço culminou no cumprimento da meta democrática, quando o nosso País apresentou ao Mundo um admirável espetáculo de educação política, que me permite encerrar o mandato, num clima de paz, de ordem, de prosperidade e de respeito a todas as prerrogativas constitucionais.

Sejam quais forem os rumos da minha vida pública, levarei comigo, ao deixar honroso posto que me confiou a vontade popular, o firme propósito de continuar servindo ao Brasil com a mesma fé, o mesmo entusiasmo e a mesma confiança nos seus altos destinos.

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Dias antes de terminar seu mandato, de 31 de janeiro de 1956 a 31 de janeiro de 1961, o presidente Juscelino Kubitschek entregou pessoalmente a João Antero de Carvalho a carta acima reproduzida em fac-símile. Neste site, em "Carreira Jurídica" estão registros sobre Antero como Procurador-Geral da Justiça do Trabalho.

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Antes de completar 21 anos, João Antero já era professor, já havia lançado um livro sobre História do Brasil (prefaciado por Humberto de Campos) e adquiria prestígio como colecionador de autógrafos e documentos históricos, estes cuja origem e/ou autenticidade ele apurava com todo o rigor.

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- IMPORTANTE -

Conforme registro do Google (agosto/2011) este site apresentava um milhão e duzentos e quarenta mil referências e índices de visitação em mais de 50 países. Resultado, principalmente, do interesse que o Acervo Histórico desperta entre historiadores, estudantes e estudiosos de História.

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Colaboraram na redação das páginas deste site: Murilo Brasil e,

na parte intitulada "Carreira Jurídica", Marcelo Antero de Carvalho.

 

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João Antero de Carvalho - Vida e Obra

 

Eliane Wasinger Lustosa Brasil - 2004  -  Reformulado -julho/2011