- 1928 - Enquanto João Antero posava ao lado do Posto 5 F.C. e o pavilhão verde e branco do clube (que ele criou) era desfraldado em Copacabana, o jovem Carlos Drummond de Andrade, então com 26 anos, causava sensação na literatura brasileira com seu poema "No meio do caminho". Anos depois, o destino ligaria o craque da praia e o ás da poesia, selando uma amizade que perdurou até a morte do poeta em 1987. Em abril/2011, a Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho - ANPT, enviou aos seus associados a foto acima, acompanhada desta mensagem: "Caros colegas: segue foto histórica da visita do Procurador-Geral da Justiça do Trabalho, Dr. João Antero de Carvalho, em 1949, inspecionando a obra do Maracanã, para verificar as condições de trabalho". (a mensagem foi assinada por Henrique Ellery - A foto consta deste site, desde 2004). Em setembro de 2011, décadas depois, os trabalhadores da empresa Delta entraram em greve reivindicando melhores condições de trabalho, por ocasião da reconstrução do Maracanã. O que torna a iniciativa do Dr. Ellery muito oportuna.
(Foto: Coventry Evening Telegraph) - 1953 - Escala em Coventry City (Inglaterra) João Antero com a delegação do América em vitoriosa excursão à Europa.
Repercussão do livro de memórias Em julho de 2003, João Antero lançou seu livro de memórias “Louvado seja ele em nome do Brasil”, título inspirado na frase final do prefácio de Humberto de Campos para o livro didático, como foi referido anteriormente. As memórias, com enfoque maior em torno das reminiscências esportivas, têm alcançado ampla repercussão entre leitores de todas as faixas sociais, desde anônimos a figuras públicas, literatos, magistrados, juristas, políticos, comentaristas esportivos e tantos mais que, através de gratificantes mensagens, vêm expressando admiração por uma vida de realizações no cenário jurídico e expressiva presença no âmbito do futebol. Uma dessas mensagens, assinada por Myriam de Filippis, moradora de Copacabana, escrita de forma singela, revela que através do livro (sempre um extraordinário instrumento de comunicação) é possível transformar sentimentos e proporcionar o começo (mesmo tardio) de novas vivências. Eis a íntegra da bonita missiva de quem permanecia indiferente ao futebol, mas graças às memórias de João Antero descobriu-se “órfã de uma paixão”: "21-9-03 Prezado Dr. Antero, Antes de mais nada quero agradecer a gentileza de me mandar seu livro, que comecei logo a ler, um pouco por curiosidade, um pouco por educação. Quando descobri que falava de torcidas de futebol, me perguntei: “E eu com isso?!”, pois nunca fui torcedora de time nenhum, talvez ocasionalmente da “Azurra”, apenas nos jogos internacionais e mais por dever pátrio do que por amor ao futebol. Sinto-me porém irresistivelmente atraída por um bom texto, e a prosa do seu livro é daquelas que me proporcionam prazer pelo simples prazer da leitura . . . as páginas iam virando e eu continuava lendo, um assunto que, página após página, passava a interessar-me cada vez mais. Moral: o livro acabou e eu me descobri órfã de uma paixão, a paixão pelo futebol . . . Que pena! Parabéns, Dr. Antero, principalmente pela lucidez de seu pensamento e pelo brilho de sua paixão, que parecem tirar força e viço do respeitável número de anos que resultam de sua certidão de nascimento . . . Um grande abraço de uma admiradora órfã de uma paixão. Myriam de Filippis" Outra missiva a merecer registro é a do presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Comércio e ex-ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Antonio Alves de Almeida, que assim se expressou em carta datada de 29 de agosto de 2003: “Recebi e agradeço a
remessa de suas memórias relatadas no livro de sua lavra intitulado ‘Louvado
seja ele em nome do Brasil’. Confesso que, pelo título,
dada as tentativas de transformação das leis trabalhistas,
imaginei que se tratava de algo referente a Getúlio Vargas,
mas ao me inteirar de seu conteúdo verifiquei tratar-se das
memórias de pessoa tão valorosa quanto Getúlio,
pois, como seu contemporâneo e cultor do Direito do Trabalho,
sempre defendeu a Legislação instituída pelo estadista
em defesa da classe trabalhadora. Mais um expressivo exemplo da repercussão do livro de memórias está nestas palavras do ministro Emmanoel Pereira, do TST, contidas em carta de 2 de setembro de 2003: “Agradeço a remessa do livro de sua autoria ‘Louvado seja ele em nome do Brasil’. A leveza dos assuntos, aliada à sensibilidade poética como os temas são tratados e ao humor contido em cada ilustração despertam a curiosidade do leitor, fazendo com que, a cada página, conheça-se mais sobre a trajetória de quem sempre procurou desempenhar sua missão, quer no meio jurídico, quer literário, quer jornalístico e, mesmo no esporte, com afinco e dedicação. Receba, pois os meus cumprimentos por mais este empreendimento”. "Crônicas do Futebol Pitoresco" Em seqüência às memórias, Antero lançou mais um livro com seleção de textos e caricaturas publicados em "O Dia". Intitulado "Crônicas do Futebol Pitoresco", prefaciado por Arnaldo Niskier, da Academia Brasileira de Letras e secretário da Cultura do Estado do Rio de Janeiro, o livro foi lançado em 27 de setembro de 2004 na sede do América, evento noticiado no caderno esportivo de "O Dia", de 28-9-04. A obra repercutiu entre torcedores de todos os clubes, comentaristas esportivos e literatos, num amplo universo de leitores favoravelmente impressionados com "mais uma obra que o nosso guerreiro está legando às novas gerações", conforme diz Arnaldo Niskier no prefácio do livro.
"Verão de São Martino" Quando do falecimento de João Antero de Carvalho, a sensibilidade de Myriam de Filippis mais uma vez se manifestou através da seguinte carta endereçada aos familiares: "Às vezes, na Itália, acontece um fenômeno atmosférico que é denominado 'Estate di San Martino' (Verão de São Martino). Ele consiste num breve tempo quase de verão quando já o frio está adiantado, ou seja na época em que se festeja o dia do Santo Martino. Normalmente, depois desse brevíssimo verão, o inverno volta com toda sua inclemência. O inesquecível Doutor Antero viveu sua 'Estate di San Martino': depois de uma vida rica, proficua, produtiva e generosa, quando seu inverno já tinha adentrado as brumas tristes do esquecimento, de repente um sol luminoso aqueceu os últimos anos de uma vida que deu todos os frutos que um ser humano possa esperar semear e colher. Vocês, filhos, netos, bisnetos, herdaram uma grande riqueza: o exemplo de um homem que foi muito bom exemplo em todas suas realizações, herdaram os livros que Ele escreveu e os ensinamentos que Ele deu ao longo de sua longa vida. Ninguém consegue sair vivo da vida que ganhou ao nascer, mas todos continuamos vivos além de nós mesmos, na medida e pelo tempo em que seremos lembrados".
Medalha do Centenário No período comemorativo de 100 anos de existência, o America Football Club homenageou João Antero de Carvalho pelos relevantes serviços prestados ao clube, concedendo-lhe, "post-morten", a Medalha do Centenário, especialmente cunhada para esse fim. A concessão realizou-se em 14 de maio de 2005 na sede social.
Peripécias de João Antero e Oswaldo Martins Gonçalves durante a excursão do América à Espanha, agosto de 1977 - (charge de Murilo Brasil, publicada em "O Dia" - 21-8-77) - Veja detalhes sobre Oswaldo e Eralda em "Futebol Pitoresco", no subtítulo "Homenagem a notáveis torcedores". Na foto acima Eralda aprecia um exemplar da 2ª edição de "Torcedores de Ontem e de Hoje". _________________________ José e Maria A família Antero de Carvalho originou-se da união dos cearenses José Esperidião de Carvalho e Maria Antero, da qual resultou cinco filhos: João, Marcus Vinicius, José, Marister e Paulo. O patriarca sempre preservou-se um católico convicto fazendo da Bíblia sua inesgotável fonte de inspiração. Jurista de renome, foi diretor da Sul América Seguros e, como especialista do Direito, apregoava este interessante lema: "Toda ação tem, como iniciais, três letras d: dispendiosa, demorada e duvidosa". Maria Antero nasceu dentre o famoso clã dos Augustos, cujas raízes existiam desde as últimas décadas do século 18, deitando novos ramos com a união de Fideralina Augusto Lima e do major Ildefonso Correia Lima, nos meados do século seguinte em Lavras da Mangabeira, Ceará. A extensa e detalhada árvore genealógica do clã está apresentada na admirável obra "Os Augustos", da pesquisadora Rejane Monteiro Augusto Gonçalves; uma 2ª edição (2009) com mais de 600 páginas, lançada pela ABC Editora, que atualiza e amplia a 1ª edição (1971) escrita por Joaryvar Macedo. Maria faleceu em 1968, aos 85 anos, e Esperidião em 1982, aos 98 anos. O patriarca mereceu do filho, João, esta crônica, publicada em "O Dia", de 21-3-82: "A despeito de meus longos anos já vividos, de repente me senti órfão. Vi partir, na terça-feira, desta semana, meu pai José Esperidião de Carvalho, às vésperas dos 98 anos. Vi-me sozinho. Vi-me esmagado pela solidão e pela certeza de que a orfandade nos alcança em qualquer tempo, em todas as idades. Que grande injustiça, nos reservaria Deus, se tudo terminasse assim, tão de repente. Ligamo-nos às criaturas, apoiamo-nos nelas, devotamos-lhes incondicional amor e, no tropeço insuperável dum batimento cardíaco, partem-se todos os liames de convívio e de proximidade. É claro que a Lei que imaginou, com singular sapiência, o amor entre as criaturas, não claudicaria ao ponto de esvaziar-nos miseravelmente e cingir a nossa existência com a trágica coroa da ilusão e da nulidade de tudo. Quem cria o amor não cria o nada; quem galvaniza a vida não eterniza a morte. Aprendi com o velho amigo Esperidião a mais bela lição de filosofia: Deus existe, Deus é Bom, Deus é Perfeito. Creio, portanto, nesse maravilhoso legado paterno, que me sustentou a fé até hoje e me consubstanciou o raciocínio lógico de que da Bondade e da Perfeição de Deus só podem emanar o Amor e o Bem. Creio, pois, na continuidade da vida; creio na preservação dos laços de família; creio na perenidade das emoções que imantam os seres; creio na sobrevivência do meu bom e inesquecível pai. Nunca ocultei minha fé espírita. A Doutrina codificada por Allan Kardec argamassou em mim os princípios deístas e cristãos ouvidos dos lábios de meu genitor, sempre profundamente humano, cuja tônica comportamental era o perdão e a tolerância. Sei, pois, que a morte inexiste e que a ninguém ela aparta, senão àqueles que já não se amavam. A partida do pai (como o chamávamos) deixa-me órfão é verdade, mas não me deixa morto, que é como me veria se não me sobejasse a crença no nosso reencontro, um dia, quando meu próprio coração claudicar. (...) Mas esse silêncio me certifica, precipuamente, de que o Espírito fala sempre mais alto e sua voz não se interrompe jamais. É esse silêncio que me fala de breve orfandade material e de assistência espiritual eterna. É esse silêncio que consagra o ensinamento evangélico de que morremos para ressurgir alhures, na glorificação da vida eterna. Onde estejas, José Esperidião de Carvalho, estou certo de que sabes quanto sentimos tua ausência e quanta certeza temos de que voltaremos a encontrar-nos. Porque assim Deus o quer; porque Deus é Amor".
Anos 60 - O cumprimento do preceito bíblico: "Crescei e multiplicai-vos". Cinquentenário da Bossa Nova Fiel torcedor do América, Édison Santos, então Ministro da Igualdade Racial, exibe seu exemplar do livro "Crônicas do Futebol Pitoresco", ao lado de Adriana Ferreira, dedicada ativista dos direitos sociais, durante as comemorações dos 50 anos da Bossa Nova, em Ipanema (1º de março de 2008). Segue texto em "Carreira Jurídica"
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Eliane
Wasinger Lustosa Brasil - 2004 - Reformulado -julho/2011 |