Depois da aventura esportiva em Copacabana, João Antero de Carvalho iniciou a fase de preparação intelectual. Após estudar no Colégio Pedro II chegou a completar o 2º ano de Medicina, mas resolveu optar pelo Direito, formando-se na Faculdade Nacional do Catete. Em meio a esse período, lecionou História do Brasil no Ginásio Luso-Americano, em Vila Isabel. Antes de completar 21 anos, para atender a pedidos dos seus alunos, escreveu um livro sobre História do Brasil, prefaciado por Humberto de Campos, maranhense, chegado ao Rio em 1912, jornalista, poeta, cronista, memorialista, deputado federal, pelo Maranhão, e participante ativo da Campanha Civilista pela eleição de Rui Barbosa à presidência da República, em oposição a Hermes da Fonseca.

Na literatura, Humberto de Campos notabilizou-se por mais de 40 livros, entre os quais “Poeira”, “A Serpente de Bronze”, “A Bacia de Pilatos”, “Antologia da Academia Brasileira de Letras”, “Sombras que Sofrem”, “Memórias”, uma vasta produção literária que se estendeu em diversas obras póstumas. Em 1919, aos 33 anos, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, quando ocupou a Cadeira nº 20, sucedendo a Emílio de Meneses. Autodidata, consagrado por um invulgar talento intelectual, fez por impressionar o presidente Getúlio Vargas que se tornou admirador do literato maranhense, nomeando-o diretor da Casa de Rui Barbosa, confiando-lhe também missões culturais no exterior.

Espírita convicto, após sua morte, em 1934, aos 48 anos, ditou várias obras ao médium Chico Xavier, identificando-se em certo período como Irmão X, num conjunto de impressionantes psicografias que provocaram enorme repercussão na imprensa.

Eis a íntegra do prefácio, intitulado Palavras de Amigo, escrito por Humberto de Campos para o livro didático de João Antero:

"Livro não há cuja leitura me dê mais trabalho à imaginação que uma “História do Brasil”, dessas que se destinam à infância, no início do curso. E mais profundamente me interessam esses volumes, quando ilustrados. Sobretudo, na sua primeira parte. Que sabemos nós, na verdade, do primeiro século do período colonial? E como sabemos pouco, de que prestígio nos aparecem cercados, quando os contemplamos, aqueles jesuítas, e aqueles primeiros colonos, que viriam amansar a terra, e domesticar o indígena, preparando-os para a incursão dos caçadores de ouro, no século XVII. O mistério envolve, ainda, as figuras e os fatos. Um dia, porém, os acontecimentos e os homens sairão da sombra, e teremos orgulho dos que assentaram, com a Cruz, o sangue e a espada, os alicerces da civilização brasileira.

Conhecer a “História do Brasil”, é aprender a amar o Brasil. Ensiná-la, não é apenas magistério e profissão, porque é civismo e sacerdócio. Daí a simpatia com que olho sempre os livros versando essa disciplina. Daí o interesse que este me despertou. Escolhendo o estudo e o ensino da História do seu país para iniciar a sua carreira de autor, o professor João Antero de Carvalho manifesta, já, em verde mocidade, a noção justa, que tem, da sua missão de educador. Organizando um tratado para a juventude do seu colégio, fê-lo singelo na linguagem, familiar na exposição, ligeiro na substância. Os alunos que, mais tarde, na maturidade do espírito, quiserem enriquecê-lo de conhecimentos mais novos e mais profundos, encontrarão no seu livro, apenas, o ponto de partida. Ele é simplesmente o semeador, o preparador do terreno para as opulentas colheitas futuras.  Habituem-se, todavia, desde já, os moços que lerem este volume a amar profundamente a sua terra. O seu Passado merece, mais do que o respeito, o culto das gerações de hoje e de amanhã. A sua unidade geográfica e idiomática é um dos milagres sociais da História do mundo. E aos moços que vão manusear este pequeno compêndio cabe o dever de, com a sua pena ou com o seu sangue, conservar essa unidade.

Era costume, na Idade Média, em alguns reinos cristãos, louvar, em nome de Deus, o príncipe que preparava cavaleiros para os santos serviços da Fé. O professor João Antero de Carvalho é, no seu colégio, um formador de espíritos e corações destinados a amar e a servir à Pátria.

Louvado seja ele em nome do Brasil".

Segue texto em "Participação na vida do América F. C."

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João Antero de Carvalho - Vida e Obra

 

Eliane Wasinger Lustosa Brasil - 2004  -  Reformulado -julho/2011